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É criada a Associação Brasileira de Agências de Viagens.
Foi em 1953, por iniciativa de 15 agentes de viagens.


Em 28 de dezembro de 1953, representantes de quinze agências de viagens reuniram-se, no Rio de Janeiro, para formalizar a fundação da Associação Brasileira de Agências de Viagens - ABAV. Acreditavam que, em uma entidade apenas de agências, a defesa dos interesses da classe estaria mais clara e resguardada. Reuniões prévias, para a discussão e redação do estatuto já haviam sido realizadas, mas só em 28 de dezembro seriam eleitos formalmente os membros do Conselho Diretor e da Diretoria Executiva, além naturalmente da aprovação do estatuto.

Assim, na Av. Rio Branco, 277, loja II, nascia a entidade que, com o empenho de cada um dos associados, 50 anos depois teria consolidada sua posição de a mais importante e representativa do turismo nacional, presente em todo o País, com cerca de três mil associados.

Albert I. Ruttimann, da Wagons-Lits/Cook presidiu a Assembléia Geral e, como primeira providência, pediu a leitura dos estatutos, de autoria de Luiz Amâncio Tarquínio de Souza, que também foi o primeiro secretário da assembléia. Feita a leitura, a discussão e a aprovação, por unanimidade, dos estatutos, Ruttimann declarou fundada a Associação Brasileira de Agências de Viagens.

Reprodução da Ata da Assembléia Geral de fundação da ABAV, em 28 de dezembro de 1953, no Rio de Janeiro.

Aos 28 dias do mês de dezembro de 1953 às 10 horas da manhã sita a avenida Rio Branco 277 Loja II, reuniram-se em ASSEMBLÉIA GERAL as pessoas abaixo assinadas e representantes de Agências de Viagens estabelecidas nesta Capital e nos Estados afim de deliberarem sobre a Fundação da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE VIAGENS, aprovação dos Estatutos, Eleição do Conselho Diretor e da Diretoria Executiva e assuntos outros de interesse da Associação. Inicialmente os presentes elegem, a pedido do Snr. Luiz Amâncio Tarquínio de Souza, a mesa que dirigirá os trabalhos e que assim ficou constituída: Presidente Albert I. Ruttiman (Wagons-Lits/Cook) - Primeiro Secretário Luiz Amâncio Tarquínio de Souza (Bahia Turismo S. A. - Turismo Associadas) - Segundo Secretário Umberto Stramandinoli (Tour Service). Dando início aos trabalhos o Snr. Pre- sidente declara aberta a sessão, convidando o Primeiro Secretário a fazer a leitura do projeto de Estatutos de Autoria do Snr. Luiz Amâncio Tarquínio de Souza, estatutos estes que depois de discutidos foram aprovados por unanimidade pelos presentes e segue a anexo a esta devidamente assinada por todos. Então o Snr. Presidente declara fundada a ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE AGÊNCIAS DE VIAGENS, decia razão esta que é recebida por uma longa salva de palmas. Pede a palavra o Snr. Luiz Amâncio Tarquínio de Souza, afim de dizer da significação do transcendental acontecimento, que tanto representará para a classe de Agências de Viagens hoje em dia tão desprotegida e desamparada por absoluta falta de associação entre os seus membros. Congratulome com meus denotados companheiros que conseguiram afinal a realização de um grande ideal que é a Fundação da Associação nossa velha aspiração. Afirmou ainda que dessa união brotará a força insuperável que vencerá todas as dificuldades e solverá todos os nossos problemas. Em segunda o Snr. Presidente informa a Assembléia que a mesma deveria proceder a eleição dos membros do Conselho Diretor. Pede a palavra o Snr. Roberto Azevedo (Avipan), para indicar os seguintes nomes para membros do Conselho Diretor: Presidente Humberto Stramandinoli - Wilson Amaral Souto (Pernambuco Turismo S. A.) - Alfredo Pacheco (Agência Riviera) - Luiz Tarquinio Netto (Rio de Janeiro Turismo S. A.) - Heitor Pasquinelli (Turismo Científico e Cultural). Por proposta do Snr. Heitor Pasquinelli foi incluído o nome do Snr. Roberto Azeveto. Ambas as propostas submetidas a discussão foram as seguidas aprovadas por unanimidade. O Snr. Presidente congratulou-se com a Assembléia pela magnífica escolha dos Conselheiros Diretores, em cujas mãos iriam ficar os destinos da Associação. Em seguida foi procedida a eleição da Diretoria Executiva. Depois de discutida é aprovada a proposta do Snr. Humberto Stramandinoli, ficando assim constituída a mesma: Presidente - Luiz Amâncio Tarquínio de Souza - Vice-Presidente H.H. Windhein - Primeiro Secretário David Davies (Casa Bancária Moneró) - Segundo Secretário Nassib Nadruz (Agência Kamel) - Tesoureiro - Camilo Kahn (Agência Camilo Kahn). Pede a palavra o Snr. Tarquínio de Souza para oferecer as instalações existentes na Avenida Rio Branco 277, Loja II, para sede provisória da Associação, até o momento em que a mesma tivesse condições financeiras de ter uma sede exclusiva. A oferta do Snr. Luiz Amâncio foi discutida e aceita ficando aprovada por unanimidade a localização da sede provisória da Associação. Informa o Snr. Presidente que de acordo com os estatutos da Associação todos aqueles que assinarem a presente ata seriam membros ou Sócios fundadores.

Em seguida o Snr. Camilo Kahn pede a palavra afim de propor que as despesas iniciais fossem rateadas entre os sócios e Membros fundadores até que o Conselho Diretor aprovasse a proposta da Diretoria Executiva quanto à fixação dos Direitos de Entrada e mensalidade dos membros e sócios. Logo que isso se desse seriam os Membros e Sócios fundadores reembolsados de seus haveres. Depois de discutida a proposta do Snr. Camilo foi submetida a aprovação tendo sido aprovada por unanimidade. Nada mais havendo a tratar e ninguém desejando fazer uso da palavra o Presidente suspendeu os trabalhos da Assembléia pelo tempo necessário a lavratura em triplicata, e que reaberta a sessão foi esta por mim Luiz Amâncio Tarquínio de Souza, lida, discutida e aprovada por unanimidade ata que como primeiro secretário redigi, datilografei e subscrevo adiante em companhia de todos os presentes e do Presidente da Assembléia.
Rio, 28 de dezembro de 1953.


No começo dos anos 50, criar e manter uma associação de classe era realmente uma tarefa para abnegados. Para se ter uma idéia, existiam no Rio de Janeiro, em 1953, 74 agências de viagens. No começo, a ABAV, segundo consta da primeira ata, funcionou na sede da Rio de Janeiro Turismo (Turismo Associadas), de Luiz Amâncio Tarquínio de Souza, também o primeiro presidente eleito da associação. Ficou no cargo por seis anos, até 1959, quando foi substituído por Umberto Stramandinoli.

Em 1959, a realização do Congresso da Confederação das Organizações Turísticas da América Latina (Cotal), em Santiago do Chile iria mudar a história da recém criada associação de agências. Representando o Brasil, compareceu a ABAV, com agentes de viagens do Rio de Janeiro, e representando os agentes de São Paulo, ainda não reunidos em uma entidade devidamente formalizada, mas que já era esboçada de forma independente da instalada no Rio de Janeiro - a Associação Paulista de Agentes de Viagens. A Cotal, que só aceita uma representação por país, sugeriu a união sob uma única associação e os participantes do Brasil se inscreveram como membros da ABAV. No retorno da viagem ao Chile, Modesto Mastrorosa começa a mobilizar os agentes de São Paulo para formalizar a integração à ABAV.

Não era, contudo, a primeira vez que paulistas e fluminenses discutiam a criação de uma associação nacional. Ainda nos anos 40 foram feitos os primeiros contatos, que acabaram não se concretizando, entre o próprio Mastrorosa, além de outros pioneiros, como Heitor Pasquinelli e Guilherme Mellechi, ambos do Rio de Janeiro. São Paulo e Rio de Janeiro concentravam o maior número de agências e já eram os dois principais mercados do País. A primeira reunião formal dos paulistas para analisar a criação da delegacia da ABAV no Estado aconteceu em 1º de junho de 1959. "O grande incentivador para a criação da ABAV foi mesmo Modesto Mastrorosa", lembra o empresário Diego Suarez Marruecos, um dos sócios fundadores da Delegacia de São Paulo. As primeiras reuniões aconteceram na sede da Sociedade Anônima Martinelli.

Em 2 de setembro do mesmo ano, novamente reunidos e depois de terem apresentado à direção da ABAV no Rio de Janeiro um ante-projeto dos novos estatutos, os agentes de São Paulo formalizaram a criação da delegacia.

Na criação da ABAV de São Paulo já ficou definido também que esta seria responsável pela organização do primeiro Congresso Brasileiro de Agências de Viagens, que aconteceu no final de novembro de 1959 em São Paulo e Santos. Não foi este, contudo, o primeiro encontro nacional dos agentes, que sob a coordenação da ABAV já haviam participado, um ano antes, da Primeira Reunião de Agências de Viagens, esta no Rio de Janeiro.

Depois de São Paulo, o Rio Grande do Sul e Pernambuco foram os dois estados que passaram a contar com delegacias da ABAV. Era o início na expansão nacional, de fato, da associação. No começo dos anos 60, mesmo com o início do desenvolvimento das comunicações, integrar empresários do Brasil em torno de um ideal era tarefa para pessoas que realmente acreditavam no poder da união. Perseverantes, deram a contribuição fundamental, e no momento certo, para o fortalecimento da associação.

Com a criação da Delegacia de São Paulo, Rio Grande do Sul e Pernambuco, o então estado da Guanabara, onde ficava o Distrito Federal até 1960, também passou a ter uma representação local. Em meados dos anos 60, mesmo sem a realização dos congressos anuais, a ABAV participou e promoveu diversos encontros. Em 1963 com o patrocínio do Governo do Estado da Guanabara, aconteceu a III Convenção Nacional da ABAV, que reuniu representantes de vários estados, além de autoridades do legislativo, como deputados federais e também do executivo, como secretários de Turismo.

"A Associação Brasileira dos Agentes de Viagens, orgulhosa e feliz, vê neste momento, a instalação da III Convenção. Ontem, um sonho. Hoje, uma realidade. Aos agentes deste Estado, e dos demais, que atenderam ao nosso convite, nosso muito obrigado pelo alto espírito de colaboração e coleguismo, cujo trabalho, na mais estreita colaboração certamente motivará estudos e resoluções que beneficiarão a classe", disse Nestor Serra, durante a abertura da III Convenção Nacional dos Agentes de Viagens, promovida pela ABAV com o apoio governo do Estado da Guanabara em 1963. Além da saudação fez também uma cobrança que viria a se repetir pelas décadas seguintes: "Aos senhores membros da Câmara dos Deputados, pedimos a aprovação do projeto lei nº 1146/59, que regulamenta as atividades dos agentes de viagens".

Na gestão de Carlo Gherardi (1967/68) começa a ficar mais evidente a oposição dos agentes de viagens de São Paulo com relação à direção nacional, instalada no Rio de Janeiro. Os quatro primeiros presidentes tinham sido do Rio. Miguel Fortunato, que já havia presidido a ABAV paulista entre 1965/67, volta a ocupar o cargo em 1968 e, no mesmo ano, assume também a Presidência do Conselho Nacional. A ABAV só voltaria a ser presidida por agente de viagens do Rio de Janeiro 25 anos depois. Acumulando os dois cargos, uma das conquistas de Fortunato foi a compra da primeira sede própria da ABAV de São Paulo, na rua 24 de Maio. Ali foram realizadas muitas reuniões até meados dos anos 70.

O final dos anos 60 marca também alguns conflitos, principalmente entre os agentes de viagens, as empresas aéreas e a própria Embratur, criada em 1966. Foram várias as assembléias em que a ABAV discutiu que medidas tomar contra ações unilaterais, seja da estatal de turismo, das empresas ou mesmo em decisões conjuntas, normalmente capitaneadas pelo Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA).

O início dos anos 70 vem com uma das grandes batalhas da associação: o convencimento de autoridades e dos grandes grupos financeiros - os bancos - sobre a importância da preservação do agenciamento de viagens aos profissionais da área. À época os bancos passaram a atuar fortemente, comprando ou abrindo agências de viagens próprias.

A utilização da estrutura bancária como ponto de venda e/ou divulgação dos produtos e serviços era a principal argumentação dos agentes, que não tinham as mesmas condições de competição. Além disso, como foi provado alguns anos depois, os bancos não conseguiriam auferir, no segmento, os mesmos lucros registrados no sistema financeiro.

Ironicamente, no início da década seguinte o tema voltou a ser discutido, desta vez de uma forma ainda mais grave, por envolver o poder público.

Em 1972, de 18 a 22 de novembro, a ABAV organizou em caráter extraordinário o Congresso da Confederação das Organizações Turísticas da América Latina (Cotal). Se por um lado o funcionamento do evento era elogiado pelos participantes, na política interna a ABAV estava bastante agitada. Poucos meses antes do evento, Antonio Carlos Santoro havia manifestado o desejo de deixar a presidência da entidade. Logo após o Congresso da Cotal, não conseguindo o apoio esperado dos agentes e conselheiros, o próprio Santoro ajudou a eleger o pernambucano Wanderly Bezerra, primeiro presidente fora do eixo Rio-São Paulo.

Wanderly Bezerra, que junto com Rubens Sant´Anna e Walter Luck já havia ajudado a criar ABAVs em vários estados, chegou em um bom momento.

Sem ficar preso a questões regionais, Bezerra viajou por todo o Brasil. Participou da reativação de ABAVs que não estavam recebendo atenção necessária, fundou outras, como a de Brasília, em 1974, mas também fez questão de marcar presença junto às grandes companhias aéreas, sendo recebido por todas as diretorias. Em São Paulo, em 1973, assume a Presidência da ABAV o empresário Walter Steurer. No ano seguinte, sendo ajudado por Leonel Rossi Júnior, Eduardo Nascimento e Ricardo Román, Steurer lidera a realização do segundo Congresso Brasileiro de Agências de Viagens, no Guarujá. Até o início dos anos 80 as ABAV´s dos Estados eram as responsáveis pela realização dos Congressos, diferentemente do que ocorre agora.

Wanderly Bezerra foi eleito em 1973 e reeleito no ano seguinte. À época os mandatos tinham duração de apenas um ano. O sucesso do segundo Congresso, que contou também com uma pequena exposição de turismo montada em uma área de 350 m², deu um novo ânimo à ABAV. Além de conseguir reunir um bom número de profissionais e chamar a atenção para as grandes causas dos agentes de viagens, a venda de estandes na Exposição de Turismo deixava uma certa receita, fundamental para a estruturação da associação. Em 1974, logo após o segundo congresso, é eleito para a presidência do Conselho Nacional o gaúcho Pedro Chaves Barcellos, que logo no primeiro ano de mandado teve o privilégio de ver acontecer em Porto Alegre o terceiro congresso da ABAV.

No capítulo das decisões governamentais que afetavam o turismo, os anos 70 foram os mais movimentados. Seja por parte da própria Embratur ou, principalmente, de autoridades da política econômica, não foram poucas as vezes em que a ABAV teve de se mobilizar. Uma das mais graves foi uma resolução baixada pelo Banco Central, a Resolução Geral de Câmbio, ou Gecan 313, como ficou conhecida. Seu desdobramento mais grave era a proibição de remessa de divisas para o Exterior para o pagamento de serviços turísticos - além de instituir o depósito compulsório pago pelos turistas que fizessem viagens internacionais.

A gestão de Adel Auada começa dar contornos mais profissionais às questões administrativas do Conselho Nacional da ABAV. Desde que assumiu, teve como parâmetro estruturar a entidade de uma forma que não dependesse tanto dos Estados e tivesse autonomia financeira, além da política. Auada ficou por quatro anos à frente da associação, tempo em que iniciou a discussão de mudanças estatutárias que iriam se concretizar na gestão seguinte. No final de 1979 foi substituído no cargo por Walter Steurer, também de São Paulo.

No início dos anos 80 os agentes de viagens foram novamente surpreendidos por uma decisão governamental: a criação, por parte do Banco do Brasil, da BBTur. Utilizando a estrutura do banco, a agência concorre em condições privilegiadas em um mercado formado, em grande parte, por micro e pequenas empresas. Protestos junto às autoridades são feitos, dossiês que comprovavam os privilégios são apresentados, mas a ABAV não consegue chegar ao seu objetivo: o fechamento da BBTur. Na Presidência do Conselho Nacional, por motivos pessoais, Walter Steurer pede licença do cargo, sendo substituído interinamente por Eduardo Vampré do Nascimento.

Em 1983, Steurer transmite o cargo ao sucessor, também de São Paulo, Modesto Mastrorosa, fundador da ABAV no Estado e empresário desde os anos 40. Mastrorosa intensifica a luta da associação contra a manutenção da BBTur. Ficou seis anos no cargo, tendo consolidado a presença nacional da Associação com a abertura de novos capítulos estaduais, além de ter presidido seis congressos anuais: Brasília, com a presença do presidente da república João Baptista Figueiredo na abertura, Belo Horizonte, Belém, Natal, São Paulo e Fortaleza.

Só faltou o slogan "empresário unido jamais será vencido" para caracterizar ainda mais a passeata, ontem, pela avenida São Luis, organizada pela Associação Brasileira das Agências de Viagens. O objetivo: protestar contra a cobrança do depósito compulsório de 25% sobre o dólar/turismo e as passagens aéreas para o Exterior. E os empresários estavam lá, com faixas de protesto e tudo".

Assim o Jornal da Tarde, em sua edição de 13 de agosto de 1987, descreveu a passeata organizada pela ABAV-SP. "Ao longo da avenida São Luís, muitas pessoas estranhavam a manifestação reunindo senhores bem vestidos, segurando faixas com desenvoltura, faixas e cartazes. Eles chegaram ao centro em seus carros particulares, alguns até mesmo com motoristas particulares. O protesto reuniu cerca de 300 pessoas; uma boa parte empresários do setor e, outra, funcionários de agências, também preocupados com seus próprios empregos. Assim, um modelo de união entre capital e trabalho".

Em novembro de 1989 é eleito para a Presidência da ABAV Tasso Gadzanis, que já havia dirigido a ABAV-SP entre 1985 e 1989. Depois de realizar seu primeiro congresso, em 1990, em Porto Alegre, iniciando a recomposição das finanças da entidade, Gadzanis foca sua gestão, principalmente, no reconhecimento da atividade turística como indústria organizada e importante para o País. Para tanto, liderou a realização do primeiro Jantar da Unidade Nacional do Turismo, com o objetivo de se aproximar da classe política, e levou pessoalmente deputados e senadores para a França, Espanha e aos Estados Unidos, países onde a força do turismo é evidente, para que pudessem ver o funcionamento da indústria.

Nos congressos e exposições anuais da ABAV é registrado um forte crescimento tanto no número de participantes quando na área ocupada, o que acabaria por limitar as cidades brasileiras em condições de receber o evento.

Sérgio Nogueira foi eleito presidente do Conselho Nacional da ABAV na mais disputada eleição da história da associação, sucedendo a Tasso Gadzanis, em 1993. Os conselheiros de São Paulo, 19 no total, não puderam votar, pois a estatal estava sob intervenção judicial por problemas ocorridos com a eleição local. Foi a volta da Presidência Nacional da ABAV a um empresário com origens no Rio de Janeiro, depois de 25 anos.

Nogueira dirigiu a realização de quatro congressos anuais, sendo o último, em 1997, no Rio de Janeiro. Nesse ano mesmo, por aclamação, foi eleito Goiaci Alves Guimarães. De atuação discreta nas gestões anteriores, Guimarães militava na associação desde o começo dos anos 70, tendo inclusive ocupado alguns cargos em Diretorias da ABAV-SP e também no Conselho Nacional. Empresário de sucesso, seu prestígio contribuiu para o fortalecimento institucional da entidade. Objetivo nas decisões e forma de atuar, ficou quatro anos à frente da Associação sem enfrentar oposição.

Em janeiro do ano 2000, por um motivo bastante mais grave, os agentes de viagens foram novamente às ruas do centro da capital paulista, em nova passeata. Desta vez, no lugar de protestar contra o Governo Federal, o foco foram as companhias aéreas que decidiram, unilateralmente, reduzir as comissões pagas nas vendas de passagens aéreas nacionais e internacionais. O protesto simbolizou a mobilização e a não aceitação passiva por parte dos agentes de viagens; em outras frentes, em vários Estados, diversas ações na justiça, lideradas pelas ABAVs, garantiram o pagamento dos percentuais anteriores, fazendo com que os agentes de viagens tivessem preservada sua remuneração. Não há um levantamento oficial, mas estima-se em algumas centenas de milhões de reais o que as ABAVs de diversos estados conseguiram garantir para os agentes de viagens. Passados já mais de três anos, as ABAVs continuam mobilizadas, sob a coordenação do Conselho Nacional, na defesa dos interesses econômicos dos associados.

Se no campo político o presidente Goiaci Alves Guimarães quase não teve dificuldades, o mesmo não aconteceu na área econômica. O empresário liderou os agentes de viagens em dois dos momentos mais críticos da história da ABAV: a redução das comissões e a crise desencadeada a partir dos atentados nos EUA em setembro de 2001. Dois meses depois, Guimarães deixou a Presidência, sendo sucedido por Tasso Gadzanis, também de São Paulo, que já havia presidido a associação entre 1989 e 1993. Nos dois primeiros anos desse seu retorno - primeira gestão, de 2001 a 2003 - Gadzanis deu atenção especial à mais antiga aspiração da associação - a regulamentação da atividade - além de cuidar de temas como a inclusão das agências no sistema Simples e a continução das ações de defesa, na Justiça, das comissões pagas às agências de viagens nas vendas de passagens aéreas.

Em 30 de novembro de 2003 foi reeleito, em chapa única, para o biênio 2003-2005.

Fonte: Livro ABAV 50 Anos, publicado na gestão de Tasso Gadzanis e editado pelo jornalista Luiz Sales
 
 

 

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