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Crescimento faz ABAV fixar evento no Rio de Janeiro
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Os conselheiros no momento da aprovação da fixação do Congresso e Exposição de Turismo em uma única cidade; na disputa como sede fixa, venceu o Rio de Janeiro. |
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O crescimento da Exposição de Turismo obrigou a ABAV a uma decisão
difícil: fixar o evento em apenas uma cidade.
As discussões sobre o
tema, dentro do Conselho Nacional, tiveram início na gestão de Sérgio
Nogueira. Porém, apenas na seguinte, sob a liderença de Goiaci Alves
Guimarães, houve a aprovação da fixação. O projeto "Repensando o
Evento ABAV", desenvolvido por Isa Garbin da Cunha, consumiu dois
anos de pesquisas com profissionais de todos os segmentos, além de
consultores internacionais.
Nos anos 80, quando a Exposição de Turismo começava a suplantar o
congresso como principal fator de atração dos particpantes, a ABAV
ainda não enfrentava grandes problemas de espaço. Mesmo assim, para
que acontecesse em Natal (1987) foi necessária a construção de um
pavilhão; em Porto Alegre (1990) foi preciso separar o Congresso, realizado
na capital gaúcha, da Exposição, que aconteceu na vizinha Novo
Hamburgo.
Até esse período a ABAV, reunindo já alguns milhares de
profissionais, foi vital para o lançamento, apresentação ou consolidação
de destinos turísticos. A realização a cada ano em uma cidade tinha
também efeitos no fortalecimento da associação, que marcava presença
em todo o Brasil. Belém do Pará, por exemplo, recebeu o evento em
1986.
Os ano 90, contudo, enfatizaram a grandiosidade da feira. Iniciado o processo
de internacionalização do evento, característica da primeira gestão de Tasso
Gadzanis, a associação passou a tentar atrair expositores do exterior, acostumados
aos grandes eventos, como a Fitur (Madri) e a ITB (Berlim). Estes eventos,
contudo, eram sempre realizados no mesmo espaço, o que facilitava a
comercialização dos estandes, inclusive com reservas bem antecipadas. Na
ABAV, sendo itinerante, isso não era possível, até por que em muitos casos
havia a eleição da cidade-sede - quem escolhia eram os conselheiros nacionais
- sem que nem ao menos todo o espaço necessário estivesse concluído,
o que era um risco para a associação. Assim foram os casos de Foz do Iguaçu,
em 1993, e Recife, em 1998.
E mesmo com essa característica, a Exposição de Turismo da ABAV cresceu,
limitando em poucas opções as cidades que realmente tinham um centro de
eventos capaz de abrigá-la. Com o objetivo, também, de se fixar como o grande
evento de turismo das Américas, a Diretoria da ABAV passou a fazer um
trabalho de conscientização dos conselheiros sobre a necessidade da mudança.
Definido que realmente seria necessário fixar a sede do evento, o Rio de
Janeiro foi a escolhida. Em 2003 aconteceu o primeiro de seus congressos
fixos na cidade, o 31º Congresso Brasileiro de Agências de Viagens e a Feira
das Américas.
No Recife, em 2002, aconteceu o último evento itinerante da ABAV, entre 21
e 25 de agosto. O total de participantes - 15.133 - foi menor que em
2001, porém pode ser comemorado como vitória diante da crise que se
instalou no setor após 11 de Setembro. No Recife, também, o espaço disponível
para a Exposição foi mais um fator impeditivo do crescimento.
A forte crise do setor fez com que o tom dos pronunciamentos fosse bem
diferente dos anos anteriores. O confronto, as disputas, o combate duro às
questões que contrariam os agentes deram lugar à busca pelo entendimento,
à união de forças em prol de uma saída para a crise econômica. Na
solenidade de abertura, por exemplo, foram citados os dois casos mais recentes
e até então famosos do agravamento da crise, os fechamentos da
companhia aérea Transbrasil e da operadora Soletur.
Tasso Gadzanis, de
volta ao comando do Conselho Nacional da ABAV, relembrou em seu discurso
temas caros aos agentes, como a remuneração, o repúdio à concorrência
financiada com dinheiro público (BBTur), a adoção do sistema Simples e
a regulamentação da profissão. "O agente de viagens brasileiro sabe que é
forte. Não por arrogância, mas porque trabalha com dedicação, sem medo
do futuro", disse.
Jorge Sales, presidente da ABAV de Pernambuco também
dirigiu palavras em favor da regulamentação da profissão, fazendo um apelo
aos deputados federais presentes, Alex Canziani e Carlos Eduardo Cadoca.
O tema central do XXX Congresso foi claro e objetivo: "Turismo Forte, País
Desenvolvido"; um resumo de praticamente tudo que havia sido expressado
em anos anteriores, como a busca pelo bem-estar social e a importância do
setor para a economia mundial. Às vésperas de uma nova eleição presidencial,
a política teve o destaque natural, inclusive com a realização de painel no
qual os candidatos ou seus representantes puderam apresentar os planos
para o setor. Compareceram apenas Eduardo Sanovicz, representando Luiz
Inácio Lula da Silva, e Edson Ortega, representante de José Serra. No painel,
contudo, foi o vice-presidente da ABAV-CN, João Martins, do Maranhão, quem
deu o tom: "Todos os programas de governo tem contemplado a saúde, a
habitação, a educação e a segurança. Agora o turismo tem sido incluído como
quinta prioridade. Só mando um recado aos candidatos: se não resolverem os
quatro anteriores, que não atrapalhem o nosso".
Além do painel com os
representanres dos candidatos, houve ainda uma análise sobre a evolução do
projeto de regulamentação da profissão e, com a presença de diversos representantes
internacionais, como Carlos Gutiérres, da Organização Mundial do
Turismo (OMT), e Mark Hoy, vice-presidente da Travel Industry Association of
América (TIA), um debate sobre a crise pós-11 de Setembro e as perspectivas
para o setor.
Rio de Janeiro, 2003. Foram vários os momentos marcantes do XXXI Congresso.
A Associação Brasileira das Agências de Viagens, nascida na cidade,
no seu cinqüentenário, organizou seu evento mais expressivo. "Agente
de Viagens - A Força Construtiva do Turismo" foi o tema central, adequado
para uma data tão importante.
Esteve à disposição da Associação, também,
a maior área para a Exposição de Turismo, que passou a chamar-se "Feira
das Américas": 17.118 m² úteis. Ocupando quatro pavilhões do RioCentro,
ABAV aproveitou para lançar algumas sementes que prometem frutificar, com
uma área dedicada ao turismo de aventura e ecológico. A emoção, devido à
comemoração dos 50 anos da Associação, esteve presente em vários momentos,
principalmente quando envolveram o empresário Camilo Kahn, único
fundador da entidade ainda vivo - e profissional atuante.
A sala de imprensa
recebeu seu nome e, na cerimônia oficial de abertura, ao ser convidado para
compor a mesa, foi o mais aplaudido. Em seu discurso, Tasso Gadzanis, presidente
nacional da associação, fez elogios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
por ter, finalmente, criado o ministério de Turismo, e também ao escolhido para
ocupar a pasta, Walfrido Mares Guia. Mas aproveitou para tocar em pontos
importantes, como a precariedade na infra-estrutura de alguns destinos turísticos,
a burocracia na concessão de vistos para turistas estrangeiros que querem
visitar o Brasil e necessidade de ser encarada com realismo a responsabilidade
dos agentes de viagens sobre a prestação de serviços turísticos.
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Com mais espaço, a Feira das Américas apresentou estandes amplos e bem montados, além de permitir a circulação dos visitantes sem qualquer problema. A intenção da ABAV, com a fixação do evento no Rio de Janeiro, é atrair cada vez mais participantes internacionais - expositores, que tenham interesse no mercado brasileiro, e compradores que ajudem o Brasil a receber cada vez mais turistas.
Fonte: Livro ABAV 50 Anos, publicado na gestão de Tasso Gadzanis e editado pelo jornalista Luiz Sales |
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