Dados recentes da Anac já demonstram o princípio de recuperação que desenhamos para 2017. Os números  de março (última mensuração oficial da agência até aqui) atestaram que 7,4 milhões de passageiros foram transportados em voos domésticos, configurando  aumento da demanda em 5,4%, na comparação com o mesmo mês de 2016. Essa foi a primeira alta do indicador após 19 meses consecutivos em queda. A oferta, que também vinha em queda consecutiva há 18 meses, cresceu 3,5% na mesma comparação de período.

Não é um aumento fora da curva  e já era estimado, considerando que 2016 foi um ano em que as vendas, em geral, ficaram bastante refreadas por conta do cenário de instabilidade política e econômica. Em novembro, entretanto, sentimos os primeiros sinais de recuperação, a temporada se manteve aquecida com a demanda de lazer e este aumento em março demonstra recuperação também do corporativo. 

No internacional, a relativa estabilidade do dólar, sustentada desde o final do ano passado, justifica a alta tanto na demanda quanto na oferta, por seis e cinco meses consecutivos, respectivamente.  Considerando apenas o mês de março, quando 675 mil passageiros foram transportados, a demanda cresceu 17,8% e a oferta 9,3%.

Sem exagerar no otimismo, nossa estimativa é de que os números devam se manter crescentes. Ainda aguardamos o fechamento da Anac, mas com três feriados prolongados consecutivos, abril será um bom termômetro deste ano em que, esperamos, o calendário favoreça as viagens, especialmente dentro do Brasil. À exceção de julho - que já é um mês naturalmente aquecido - teremos situações semelhantes até dezembro.

Com base nesse cenário, seguimos mantendo a projeção de que nosso crescimento este ano deve chegar a dois dígitos. Com o estímulo às viagens em alta, agora é aguardar que também o cenário político-econômico responda favoravelmente. 


Edmar Bull
Presidente da ABAV Nacional 
Em Mercado e Eventos / Edição 320 / 2a  quinzena de Maio