Onze meses depois do registro do primeiro caso de contaminação por coronavírus, e dez da decretação do estado de pandemia pela Organização Mundial da Saúde, nos despedimos do primeiro mês de 2021 com a alma mais leve e o coração cheio de esperança de que entraremos no segundo semestre com vacinas contra a Covid-19 disponíveis a todas as faixas etárias da população brasileira.

Um princípio de ano mais próspero para a economia nacional é o que desejamos, em especial para o setor de serviços, que detém a maior fatia de participação no PIB e de geração de empregos do País, mas que pode ir à nocaute  sem um projeto que garanta a continuidade do plano de contingência e sem o qual não teríamos sobrevivido a 2020.

Para o setor de viagens e turismo, mais particularmente, foram meses de estagnação em que trabalhamos ancorados por concessões que flexibilizaram contratos de trabalho, autorizaram linhas de crédito especiais e regulamentaram  as relações consumeristas. Uma crise sem precedentes que acarretou R$ 261 milhões em perdas e na extinção de 437,9 mil postos formais de trabalho, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Sobrevivemos também graças  a união de pessoas, corporações e  entidades na elaboração de um programa emergencial que garantisse, ainda que minimamente, a operação das milhares de empresas que fecharam 2019 contribuindo para a economia nacional com 8,1%  do PIB  e o emprego de 2,9 milhões de trabalhadores.

Fica o aprendizado aos que se mostraram flexíveis e buscaram caminhos que provavelmente passariam despercebidos em tempos de estabilidade. Quatro meses depois do início da pandemia, 62% das agências de viagens associadas à ABAV já estavam adaptadas ao regime de home-office e mais de 80% operacionais nos canais eletrônicos. Aprimoraram a gestão com a implantação de ações sustentáveis, qualificaram equipes, fortaleceram as relações com o mercado, criaram novos produtos e descobriram nichos de mercado ainda inexplorados.

Medidas implantadas em caráter temporário, mas que certamente manteremos incorporadas em nossas estruturas organizacionais.  A normalidade, como sempre a conhecemos, não será retomada no curto e médio prazos. As vacinas são o antídoto, mas não a solução para a erradicação dos vírus. Que assim como aprendemos a gerir nossos negócios de forma sustentável, ainda que  a duras penas, não nos esqueçamos de manter a atenção aos protocolos de biossegurança que são e continuarão a ser  imprescindíveis para que tenhamos uma retomada segura, com viagens e cidadãos mais responsáveis. 
 
Magda Nassar é bacharel em História pela Université de Nancy  e agente de viagens desde 1987. Atualmente dirige a Trade Tours Viagens, e foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Braztoa (2015 a 2019), e da ABAV Nacional (2019 a 2021).