O que têm em comum a Netflix, o Uber, o Airbnb e o Spotfy?
 
Além de contarem com ótima aceitação em seus respectivos mercados todos eles são aplicativos e/ou startups considerados disruptivos. Ou seja, eles provocaram rupturas bruscas em determinados segmentos (nos exemplos citados: no consumo de vídeos, transporte de passageiros, hospedagem e música) ameaçando o chamado status quoe até derrubando tradicionais líderes de mercado.
 
Em suma, são tecnologias que têm conquistado o coração e a mente dos consumidores oferecendo um mix que inclui bons serviços, preços compatíveis e um eficiente sistema de feedback por parte dos usuários.
 
Mas afinal, no setor do Turismo quem deve ter medo das tecnologias disruptivas? Os grandes players do mercado ou os agentes de viagens, em especial os pequenos?
 
Em tese, ninguém deveria ter medo das tecnologias e inovações digitais. Muito pelo contrário.
 
Peguemos o exemplo dos hotéis: para fazer frente ao avanço da tendência da hospedagem compartilhada algumas redes hoteleiras (as que irão sobreviver) estão melhorando os serviços, adaptando os preços e adotando modelos similares ao Airbnb.
 
O mesmo acontece em relação às cooperativas de táxis (poucas, infelizmente): ao invés de brigar com o Uber optaram por modernizar seus serviços, criar aplicativos, treinar motoristas e oferecer preços compatíveis com o mercado atual.
Os grandes já começaram a se movimentar e estão fazendo a sua parte.
 
E os agentes de viagens? Como se proteger da concorrência disruptiva e – principalmente – surfar nesta onda?
O meu conselho é: desbrave, pesquise, mergulhe neste universo.
 
Há uma série de tecnologias acessíveis e baratas, à mão do pequeno agente para conquistar, fidelizar e encantar seu cliente.
Uma delas é realidade virtual, uma tecnologia de interface que permite a imersão completa em um ambiente simulado. Através dos óculos de realidade virtual as agências podem oferecer aos seus clientes uma “degustação” de destinos turísticos através de vídeos em 360 graus. Quem têm feito isso com excelência são algumas agências de Bonito (MS), que têm divulgado em feiras e eventos Brasil afora os atrativos da cidade através de experiências imersivas em realidade virtual. É moderno, barato e eficaz.
 
Uma outra tecnologia ao alcance dos agentes é o Big Data. O nome à primeira vista pode intimidar mas o conceito é fácil de compreender. Big Data, em uma definição simplistas, é a análise e interpretação dos dados que a internet disponibiliza sobre todos nós. Os dados – ou rastros digitais – dos clientes podem se converter em informações úteis para as agências de viagens. E como obter esses dados? Uma estratégia simples e proporciona bons resultados é o monitoramento das redes sociais. Nelas os agentes podem obter informações em tempo real sobre a movimentação, preferências e interesses dos seus clientes. 
Fácil, não?
 
E não precisamos ir tão longe, tecnologicamente falando. O próprio Whatsapp é um aplicativo altamente disruptivo, que tem aproximado as agências dos clientes e criado uma nova lógica no atendimento online.
 
Portanto, abra sua cabeça e não tente remar contra a maré. Proibir, nem pensar. O melhor caminho é compreender e se beneficiar dessas maravilhosas – mas também imperfeitas – tecnologias.
A disrupção, assim como o sol, é para todos! 
 
Fred Perillo, instrutor ICCABAV, jornalista e estrategista da agência Nuvem Digital.