O comportamento das pessoas vem sendo impactado dia após dia por inúmeros processos digitais e tecnológicos, que quando bem usados, facilitam e otimizam desde tarefas simples às mais complexas.

A tecnologia, como um conjunto de técnicas ou processos que transforma tarefas, existe (como termo aplicável) desde a invenção do fogo e a cada nova melhoria e adaptação, proporcionou saltos qualitativos importantes nas sociedades. A introdução de um simples garfo no cotidiano gastronômico, por exemplo, considerado uma revolução e uma nova tecnologia (por que não?) fez mudar o comportamento à mesa, a cocção e armazenamento dos alimentos e a forma de realizar encontros e eventos, só pra fazer uma analogia simples.

Atualmente, no entanto, as mudanças estão acontecendo de forma mais rápida não somente porque nossa vida já está pautada em transações digitais, mas também porque a sociedade está super aberta e disposta a aceitar o novo com mais facilidade.

E no turismo, como vão as coisas?
Como não poderia deixar de ser, o turismo, sendo uma indústria que conecta serviços e pessoas foi e continua sendo altamente impactado pela tecnologia atual e pela revolução digital do mundo.

Os viajantes se comportam de formas diferentes, exigindo mais conhecimento, agilidade e facilidades dos agentes de viagens, responsáveis por boa parte do planejamento das viagens no mundo. Esses mesmos viajantes também exigem destinos mais amigáveis e inteligentes, que ofereçam atrativos conectados aos novos valores trabalhados de forma global. A infraestrutura turística, tão necessária a um bom acolhimento também deve ser composta de produtos e serviços alinhados a um mundo moderno, diverso e plural, possibilitando troca de experiências, geração de renda e proporcionando bem estar aos envolvidos em toda a cadeia.

Destaco ainda alguns itens que considero importantes e que devem ser observados sob a luz da tecnologia e da transformação digital atual:

Redes sociais / Espaços instagramáveis – responsáveis por despertar o desejo de compra de muitos viajantes, são utilizadas para alimentar destinos, produtos e serviços. São itens essenciais para quase todo o ecossistema de turismo. O poder das redes sociais ultrapassou o simples ato de compartilhar uma situação por prazer ou vaidade. Espaços, produtos, destinos e momentos que proporcionam fotos boas, especialmente no Instagram, são garantia de sucesso.

Inteligência artificial/ Realidade aumentada – longe de mim achar que os “bots” poderão substituir por completo o homem em tarefas complexas, mas há de se entender que para tarefas pouco complexas e que podem abusar de rapidez, sim, a inteligência artificial é uma grande aliada do turismo. A realidade aumentada não difere muito desse contexto, apenas coloca a serviço do turismo um leque imenso de possibilidades para atrair visitantes e proporcionar experiências inesquecíveis.
 
Big Data – Não há como se pensar em planejamento turístico sem utilizar os dados de forma eficiente. Os dados de turistas ou potenciais turistas são bens muito preciosos para não serem usados hoje em dia. No contexto digital, é possível cruzar dados e extrair caminhos para o bem receber ou mesmo para oferecer serviços que conversem com os desejos dos viajantes e usuários.

Experiências – as gerações Y e Z são responsáveis por uma revolução incrível no mundo. Eles ditam hábitos de consumo, onde exatamente as viagens se encaixam. Acontece que essas mesmas gerações não se encaixam mais em viagens tradicionais com serviços tradicionais. Elas esperam se surpreender e ter experiências que as diferenciem, mesmo estando em destinos clássicos. Reforço: não subestime o poder de revolução dessas duas gerações, que juntas, já somam quase metade da força de consumo no mundo.

Beatrice Borges é coordenadora do Instituto de Capacitação e Certificação da ABAV Nacional.