ARTIGOS/ENTREVISTAS

Turimo e comércio afetados pelo terror. - 06/02/2012 - Maria Angela Ballalai de Carvalho

Até o último final de semana, a greve dos Policiais Militares não tem causado perdas de monta em hotéis e empresas vinculadas ao Carnaval. Entretanto, o prolongamento da mobilização – e a insegurança por ela causada – pode trazer perdas maiores durante a folia de Momo, que se inicia já a partir da próxima semana.

De acordo com órgãos de turismo, até o momento, poucas reservas em hotéis foram canceladas, e mesmo com as notícias de que a violência aumentou na cidade, a procura por pacotes para o período de Carnaval não caiu, segundo as primeiras estimativas.

Não há ainda balanços consolidados conforme a maiora das autoridades e empresas ligadas ao setor. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagem (ABAV-BA), Pedro Galvão, 10% das reservas aéreas e de hotéis foram canceladas.

No final de semana, muitas pessoas evitaram sair de suas casas. Por conta disso, aconteceu uma série de cancelamento de shows marcados para sexta, sábado e domingo – o bloco afro Ilê Aiyê, por exemplo, divulgou nota comunicando suspensão de seu tradicional ensaio “em vista dos acontecimentos que deixaram a população de Salvador em clima de insegurança total”.

Ivete Sangalo também cancelou sua apresentação que aconteceria no sábado, na Praia do Forte. Contatada pela reportagem da Tribuna, a advogada paraense Janile Correia confirmou que não vem mais para a festa baiana. “Ainda vou conversar com a agência para ver se desisto de vez ou vou a outro destino do Nordeste”, disse.

Segundo o presidente da Empresa Salvador Turismo (Saltur), Cláudio Tinoco, as manchetes de jornais e da internet de todo o país podem criar uma imagem negativa da cidade e acabar ocasionando em algumas desistências. “De fato, o movimento de turistas acaba sendo prejudicado devido à greve. Atrapalha a programação oferecida nos pacotes de viagens”, explicou Tinoco. “Porém, novos roteiros são criados.

Neste final de semana, por exemplo, tivemos um grande número de turistas nos restaurantes. Entretanto, não tivemos a presença dos navios no porto. Os turistas que já estão na cidade tiveram que mudar sua rotina”.

Ainda de acordo com o gestor da Saltur, a expectativa do setor turístico é a de que a movimentação nos principais pontos turísticos da cidade volte a ter a mesma intensidade de costume nos próximos dias. “Acredito que essa semana, iremos analisar o impacto que a greve causou em relação aos cancelamentos. Ainda não houve qualquer tipo de prejuízo para o nosso setor, porque os pacotes já estavam fechados. A situação que pode acontecer é a migração dos turistas para outros locais do país”.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH)-BA, Manolo Garrido afirmou que o setor não foi prejudicado, os danos maiores ficaram mais com o Comércio. “Houve poucos cancelamentos. Está mais seguro agora (ontem). Os piores dias foram quinta e sexta-feira”, disse. Garrido acredita que a paralisação dos PMs não vai prejudicar o Carnaval.

Já a vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Maria Angela Ballalai de Carvalho, afirmou a um veículo de comunicação que a repercussão o pode ser negativa para a imagem do turismo na Bahia se a “confusão” continuar. “Ainda não tivemos notícia de cancelamento e não há assim tantos transtornos para o turista. Com o reforço do Exército, acho que não teremos mais problemas. A greve só vai afetar o turismo se for mais longa.”

Vistoria - Mesmo com a greve parcial de policiais militares na Bahia, a vistoria dos trios elétricos, vai ter continuidade durante a semana, de acordo com a Saltur. “A Central Única de Vistoria do Carnaval tem uma coordenação civil e também conta com instituições militares, neste caso, de policiais militares e bombeiros, além da polícia técnica. Não houve prejuízo no trabalho no primeiro dia em decorrência da greve”, disse Claudio Tinoco

.A vistoria é obrigatória e é feita no Parque de Exposições, na Avenida Paralela, até o dia 17 de fevereiro. A Central Única de Vistoria do Carnaval conta com dez órgãos municipais e estaduais, sob coordenação da Saltur.

Queda de vendas foi superior a 80%

De terça até ontem, período de vigência da paralisação parcial na PM, a queda nas vendas no Comércio baiano chega a 80%. Conforme o presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Paulo Motta, contabilizando as 45 mil unidades do varejo existentes na Bahia, Salvador e interior, o prejuízo pode ultrapassar R$ 200 milhões.

“Esse número é consequência do levantamento econômico que fazemos. Vocês da imprensa perguntam sempre sobre o movimento do comércio. A gente tem esse levantamento”, disse.

Motta destaca que a loja precisa sempre está aberta, pois tem custos fixos, como mão de obra, aluguel, contas de luz e telefone que precisam ser pagas. “O prejuízo é muito grande”, lamentou ele. Em alguns segmentos, o prejuízo foi ainda maior por se tratar de um movimento no começo do mês, quando a vendagem costuma ser maior. O Sindilojas vai disponiblizar assessoria jurídica aos comerciantes que tiverem seus negócios arrombados.

“A gente já vem perdendo dinheiro nos últimos anos, isso é a última coisa de que precisávamos”, diz Carlos Andrade, dono de loja de lembranças na Rua das Laranjeiras, centro histórico de Salvador. “Várias lojas já fecharam por causa da degradação aqui, o número de turistas vem caindo. Agora, com esse monte de mortes, quem vai querer vir para a Bahia?”

Artistas lamentam - Entre as estrelas da música, a cantora Claudia Leitte afirmou que está preocupada. “Meu coração está apertado. A situação na minha Bahia não me permite relaxar. Peço a Deus que proteja este povo tão amado, que cuide de cada família baiana. Que as autoridades sejam guiadas pelo seu Espírito Santo. Nossas famílias estão sob a proteção divina”, afirmou, a caminho de show em Guarapari, no Espírito Santo.

Ontem, em seu blog, a cantora voltou ao assunto. A seu ver, “a Bahia está ferida”. Na nota, Claudia Leitte pede que as partes envolvidas “busquem no entendimento a solução para esse impasse que tanto penaliza os baianos e os que nos visitam.

No Rio Grande do Sul, a também musa do axé, Ivete Sangalo aproveitou intervalos de um show na sexta-feira para se solidarizar com a população baiana. “Queria aproveitar e falar sobre a greve de policiais na Bahia. Nós somos artistas e cidadãos. Temos direito à segurança. Espero que a tranquilidade se restabeleça porque não existe joia mais preciosa do que os meus baianos", disse. (AV e STF)



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