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ARTIGOS/ENTREVISTAS

Nilson Marques, da Abav-MT - 16/07/2012 - Nilson Marques

Diário do Turismo

DIÁRIO – Quais são os desafios enfrentados pelos agentes de viagens do Mato Grosso?


NILSON MARQUES – Os nossos desafios não são diferentes do resto do Brasil. O nosso principal desafio é fazer com que o agente de viagens reaprenda a lidar com o produto, já que até então a gente trabalhava de forma tranquila, por meio do comissionamento das companhias aéreas; a questão das mudanças e o cancelamento da comissão das companhias aéreas internacionais, venda direto de hotéis, internet - que também é uma ferramenta hoje que pode ser muito bem utilizada, ao meu ver, em favor da agência, mas se não utilizada - é um dos principais concorrentes dos agentes de viagens hoje. Acredito muito nisso. Logicamente, o agente também tem que estar preparado, muito bem capacitado, tem que conhecer o produto pra ter realmente o diferencial e aí sim justificar a sua atuação no mercado de trabalho e justificar a compra de uma pessoa pelo agente de viagem e não pela internet, como a grande maioria tem feito.


DIÁRIO – Como tem sido a adesão de novas agências na Abav do Mato Grosso?


NILSON MARQUES – Como nós temos um número muito limitado de agências no Mato Grosso, nós podemos dizer que 60% das agências hoje são filiadas à Abav, então nós estamos com uma porcentagem muito boa em comparação com outras Abavs estaduais. Nós temos feito um trabalho interessante, deixando sempre os agentes bem informados, trazendo cursos em parceria com a Abav Nacional, então tudo isso faz com que os agentes percebam que tem trabalho a ser feito pela Abav.


DIÁRIO – Quantas agências têm no Estado?


NILSON MARQUES – No Estado todo temos em torno de 120 agências. Nós temos algumas novas adesões, algumas novas aberturas, mas é muito pouco; de vez em quando alguma fecha – o que é normal nesse mercado -, então nós temos um crescimento pequeno, na realidade. Nós temos um crescimento maior com as agências que mexem basicamente com transporte, ao uso de vans, passagens terrestres e dessas 120 agências, nós temos uma boa porcentagem que são de transportes terrestres, que vendem passagens de ônibus. Então temos um crescimento no número de agências, mas é pequeno, nada muito grande.


"Temos feito um trabalho interessante, deixando sempre os agentes bem informados, trazendo cursos em parceria com a Abav Nacional, então tudo isso faz com que os agentes percebam que tem trabalho a ser feito pela Abav"
DIÁRIO– Qual o potencial das agências do Mato Grosso?


NILSON MARQUES – O nosso trabalho é mais voltado para o emissivo. O nosso receptivo ainda está muito mal desenvolvido, nós temos o apoio do Estado para colocar infraestrutura nos nossos pontos turísticos, agora a coisa parece que vai mudar um pouquinho, porque tem muito dinheiro sendo investido em função da Copa do Mundo, então esses pontos turísticos, ou pelo menos parte deles, vão receber uma infraestrutura interessante e preparada para receber os turistas.


DIÁRIO – Quais são os gargalos, que você vê, que o turismo do Estado enfrenta?


NILSON MARQUES – No que se refere ao turismo receptivo, é a falta de infraestrutura; nós temos outro gargalo que são produtos formatados prontos para a venda, nós não temos uma gama tão grande assim de produtos, temos produtos para isso, mas como não temos esses produtos prontos, prontos para venda; ao meu ver esse é um dos principais pontos; também percebemos que a distância de Mato Grosso dos grandes centros dificulta um pouco, a nossa malha aérea não é tão boa assim, apesar de já ter melhorado, o transporte também é um gargalo. Já não é o principal, mas já foi o principal.


DIÁRIO – Você acha que os cursos oferecidos pela Abav Nacional têm sido suficientes na prática?


NILSON MARQUES – Na realidade, têm sido suficientes sim. O que a gente percebe, na grande maioria das vezes, é a vontade do próprio agente de viagens em querer participar dos cursos. Hoje existe uma gama muito forte, muito grande no mercado, de cursos de operadores, de armadores de cruzeiros, enfim, então isso acaba fazendo com que o mercado fique muito saturado pra algumas coisas e como existes cursos que são realmente bons pra capacitação técnica dos agentes de viagens, muitos acabam não participando, não tendo muito interesse em participar, e aí isso é no Brasil inteiro. A participação é relativamente pequena, enquanto deveria ser enorme.

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